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segunda-feira, abril 20, 2009

Há males que vêm por bem

Pensei em deixar, apenas, um post com imagem e título. Seria o suficiente e esclarecedor. Porém, sob o risco da dúvida, decidi contextualizar, com recurso a um pequeno texto:
na minha opinião, David Suazo foi o flop do ano. Não tem, mesmo com a comunicação social esforçando-se por nos convencer do contrário, qualidade para jogar no Benfica. A força e velocidade não chegam; também é preciso saber tocar na bola. Argumentam, os apoiantes do hondurenho, com o seu currículo italiano. Eu respondo que o Génova ou o Cagliari – já nem sei, mas também não me dou ao trabalho de procurar na net – não são o Glorioso. Aliás, nem o Inter o é; apesar da sua equipa actual merecer, obviamente, o nosso respeito e cobiça (que inveja é palavra e sentimento feio).
É, assim, importante perceber o que levou Quique Flores a descartar, durante grande parte da época, aquele que é, objectivamente – falo de futebol e estatística (que a relação qualidade/custo é até obscena referir) –, o nosso melhor avançado. Óscar Cardozo regressou. O mesmo aconteceu a Quim. Todavia, já não podemos dizer o mesmo de Léo. Foram estes, na minha opinião, os pecados maiores do treinador do Benfica, desde que chegou à Luz: "perdeu" ou "quase perdeu", de forma muito duvidosa, mais-valias importantes, ou até mesmo decisivas, da nossa equipa. Porquê? Rejeitou a qualidade e, sobretudo, a estabilidade, gaantes fundamentais para a conquista de vitórias e títulos. O Benfica deu passos atrás... para depois correr e suar a recuperar terreno, provavelmente, tarde demais.
De resto, a infelicidade – e algo mais – afastaram-nos dos nossos principais objectivos. Os jogos caseiros com Guimarães e Académica (só para falar dos mais recentes) deveriam, porque o Benfica merecia-o, ter valido seis pontos que, por esta altura, modificariam completamente as nossas perspectivas. Enfim, é preciso seguir com o projecto. Com os mesmo protagonistas e sem os erros do costume – falo de correcções, em detrimento das supostas revoluções –, antigos ou recentes.

Tradição

Quase me comovi ao ver, ontem, a jornada da Liga respeitar tradições e costumes tão antigos e queridos. Aqueles “15 minutos à Benfica” (repartidos em quatro ou cinco partes), em Setúbal, e aquela “vitória à Porto”, em Coimbra, são por demais evidentes do esforço e competência de (alguns) protagonistas do nosso futebol em manterem as coisas exactamente como estão, já lá vão 30 anos.

sexta-feira, abril 17, 2009

Golão de Grafite

Sim, já foi há mil "anos de internet" (tipo semana passada?). Vejam:


domingo, abril 12, 2009

É preciso ter karma...

SL Benfica 0 - 1 Académica OAF
Liga Sagres 2008/2009

O Benfica voltou a perder em casa para o campeonato. Tal como havia acontecido contra o Guimarães, duas jornadas antes, uma exibição convincente não chegou para marcar, sequer, um golo.

A Académica soube aguentar a vantagem, se bem que só não se deixou empatar pela falta de pontaria dos jogadores do Benfica aliada à incompreensível imaginação do árbitro do encontro. Ele foi o David Luiz isolado (duas vezes), o Aimar e o Cardozo a jogarem ao poste, o Peskovic "on-fire"... para acabar em beleza, o árbitro parou um lance de golo do Benfica (que teria dado em golo, de facto) sem uma legitimidade aparente para ter marcado falta.

Em suma, o Benfica produziu o suficiente para humilhar a Académica e obter uma vitória bem confortável, que permitisse alimentar o sonho do acesso à Champions. Ao contrário do que acontece em jogos como o da Amadora, na semana passada, em que se joga mal e há bons motivos para procurar fazer a habitual crucificação do treinador, desta vez prefiro culpar os protagonistas dos lances que já listei.

Acontece que, na Amadora, o Benfica venceu e ontem perdeu. Não importa como se jogou, os adeptos irão mostrar os seus lenços no final do jogo, espetando novo prego no caixão da força anímica dos jogadores, de si já suficientemente massacrada pela falta de apoio durante o jogo - quando o apoio pode fazer a diferença. O adepto que mostra o lenço depois de um jogo como o de ontem é míope e não sabe o que é o futebol. O adepto que leva um lençol para a Catedral, no fundo, deseja que a equipa se afunde para fazer o seu número de stand-up. Com amigos assim...

Não é o fim do mundo; Quique tem de continuar a trabalhar e a treinar o Benfica para que o seu contrato seja cumprido. Porque foi assim que foi planeado. Foi assim que se delineou uma estratégia para alcançar a vitória. De forma ponderada. Nova revolução no futebol do Benfica seria de uma falta de inteligência atroz.

sexta-feira, abril 03, 2009

A "caixa de Pandora"

O castigo aplicado a Lisandro, curiosamente previsto pela lei, abre um precedente polémico: de agora em diante, os jogadores que fizerem batota serão punidos.

Nada será como dantes, de facto...

PS: a conferência de imprensa do Jesualdo Ferreira a justificar a simulação do argentino foi hilariante, de ridícula. Vai enganar outro, ó meu!

quinta-feira, abril 02, 2009

Censurem-me à vontade

Sou uma pessoa que tem grande facilidade em "deixar passar" as pequenas coisas que, em dados períodos de tempo, me enervaram "à grande". Daí conseguir viver tão bem comigo próprio e com aqueles que me rodeiam.

Tendo dito isto, gostava de dizer que gosto do trabalho que o senhor Carlos Queirós está a realizar, e da forma como a Selecção de Portugal está a jogar. Quero que a barba se dane, que as apreciações ao seu discurso e postura vão para as urtigas - interessa-me o que vejo em campo. A equipa está em renovação (uma renovação com recursos humanos bem diferentes daqueles de 2006, por exemplo), e está no caminho certo.

Se gostava de ver o Prof. a treinar o Benfica? Mas o que é que isso interessa, agora?

sexta-feira, março 27, 2009

Alfredo Farinha: 1925-2009



Morreu um dos mais emblemáticos jornalistas portugueses. Na lucidez da sua velhice, tantas vezes troçada pelo boçal Serrão nos "Donos da Bola", avisou acerca da embrulhada em que os clubes se iriam meter com o falso oásis que seriam as SAD. Hoje é o que se sabe.

Que a sua alma descanse em paz.

quinta-feira, março 26, 2009

Já está...

Todas as escutas 16 Abril 2004
Hora: 10.56
Intervenientes: António Araújo e Augusto Duarte
(cumprimentos iniciais)...
António Araújo (AA) - Olhe, logo à..., precisava, logo à noite, de jantarmos,queria que o amigo jantasse aqui por estas zonas, porque eu tinha aqui, tinha aqui uma obra para ser vista...
Augusto Duarte (AD) - Hum... Hum..
AA - ... e eu precisava, porque... vem o...
AD - O engenheiro para ver isso?
AA - Exactamente, não é?
AD - Pois, mas é que eu logo à noite eu tenho o curso de árbitros, meu querido...!
AA - Logo?
AD - Logo, exactamente. Não tenho hipótese nenhuma...!
AA - E então e amanhã, e amanhã?
AD - Amanhã joga o meu “Braguinha” em casa com o Benfica...” Tem que se levar a mulher
ao futebol...!
AA - Pois é...
AD - Ó meu querido, tenho que levar a mulher ao futebol, senão...
AA - Ah, pois é, pois é, pois é...!
AD - ... senão ela despede-me!
AA - E então, mas é que o senhor engenheiro, o senhor engenheiro máximo...
AD - Hum, hum...
AA - ... faz questão de coisa, porque não sei quê, porque... e...
AD - Pois. Hum, hum...
AA - Hã?
AD - Como é que vamos fazer isso?
AA - Não tem nada a ver, não tem nada a ver com..., com o dois. É o número um, não é... ?
AD - Pois, exactamente.
AA - Que é o... que é o gerente de caixa, não é...?
AD - O gerente de caixa, exactamente. Não sei como é que nós vamos fazer isso então, meu querido... É que eu logo não tenho hipótese nenhuma porque tenho o curso de árbitros e agora estamos quase na fase de exame, de hoje a oito, não é?
AA - Exacto...
AD - Portanto, não posso, não posso, de maneira alguma... estar. Amanhã, prometi à mulher que a levava à bola, portanto... Como é que, estamos a ficar apertados...!
AA - Pois é! Pois é!
AD - Pois é!
...(conversa sem interesse para os
autos em investigação)...
AA - E o almoço?
AD - O almoço é capaz de dar, mas o almoço não, não assim muito para o clarão?
AA - Não, porque depois nós vamos ver uma casa...!
AD - Ah, está bem! Está bem! Podemos então combinar isso...! Para o almoço?
AA - Nós vamos ver a casa, vamos ver a casa, a ver se...
AD - Ai vamos, aproveitamos e vemos... Também é mais de dia, consegue-se ver melhor...!
AA - Pois, exactamente, vamos ver a casa...!
AD - Está bem. Está bem. Podemos combinar isso para o almoço...!
AA - E eu agora, agora eu, eu não posso almoçar com um amigo?
AD - Ah, então, pode e deve! Até, você tem, tem que almoçar comigo, que temos que ver aquele negócio, senão nunca mais resolvemos aquele problema!
AA - Exactamente!
AD - Olhe, eu estou a ficar é sem bateria.
AA - Pronto...
AD - Se entretanto for a baixo, liga-me para o outro, que eu estou no outro!
AA - Exactamente! Então fica marcado..., então eu amanhã, eu..., a gente vai-se encontrar a quê? Meio dia, meia hora, uma hora...?
AA - É isso, uma hora!
AD - Ok amiguinho! Aqui, aqui, nesta zona daqui. Eu falo, então. Está combinado!
AA - Está bem. Está combinado, então...!
(cumprimentos finais).

Hora: 14.37
Intervenientes: António Araújo e Pinto da Costa
(cumprimentos iniciais)...
António Araújo (AA) - Olhe, o... o “intendente” tem, tem que..., portanto, tem a responsabilidade de..., lá da vida dele de curso...
Pinto da Costa (PC) - Serviço, sim...
AA - ... e..., portanto, ficou amanhã, ele vem, vem almoçar comigo e depois então a gente encontra-se.
PC - Está bem. Está combinado.
AA - Está certo para o senhor?
PC - Está sim senhor.
(cumprimentos finais).

Hora: 17.09
Intervenientes: António Araújo e Pinto da Costa
(cumprimentos iniciais)...
António Araújo (AA) - Ó senhor presidente! Dava para logo, dava... A pessoa, estive a falar com a pessoa novamente... Ele ligou-me agora, e ele...
Pinto da Costa (PC) - Sim, sim...
AA - ... Já dava para logo à noite.
PC - A que horas?
AA - Portanto, eu dez horas para,para as dez e meia, eu estava lá, como, como ontem ficou combinado.
PC - O senhor liga-me antes
AA - Exactamente.
PC - Está combinado.
(cumprimentos finais).

Hora: 21.43
Intervenientes: António Araújo e Augusto Duarte
Augusto Duarte (AD) - Estou?
António Araújo (AA) - Então amiguinho?
AD - Estou a chegar...
AA - Portanto, você já está a chegar aqui na cidade, não é?
AD - Exactamente.
AA - Pronto... e então, eu... eu daqui por um bocado já estou na, na cidade mesmo, está bem?
AD - Está bem, está.
AA - É o tempo de eu sair daqui e estar lá, não é?
AD - Está bem, está. Até já, então.
AA - Está amiguinho? Até já.
AD - Até já.

Hora: 22.18
Intervenientes: António Araújo e Pinto da Costa
Pinto da Costa (PC) - Estou.
António Araújo (AA) - Estou presidente?
PC - Sim...
AA - Tudo bem?
PC - Como está?
AA - Olhe! Eu virei aqui, eu virei aqui, portanto, para a zona da Madalena, não é?
PC - Sim.
AA - E agora, eu viro depois aonde? Que eu vim só no dia do seu aniversário...
PC - O senhor virou onde diz “Madalena”, não é?
AA - Exacto.

PC - E agora vem em frente, ...
AA - Certo.
PC - Vem, vem em frente e... sobe um bocadinho, não é?
AA - Sim...
PC - Sobe um bocadinho e o senhor vira à esquerda.
AA - Certo.
PC - Está a virar?
AA - Sim, sim...
PC - E depois vira à direita.
AA - Certo.
PC - E agora vem sempre por aí abaixo...
AA - Hum... Espere aí, então. Espere aí... Tem alguma, alguma tabuleta em especial, não?
PC - Não. Vem, vem sempre por..., em frente, por aí abaixo.
AA - ... Pela nossa direita, não é?
PC - Sim, o senhor vire pela direita, portanto, tem uma tabuleta que diz Porto, não sei quê, para esquerda...
AA - Hum, hum...
PC - ... e o senhor vira à direita, vem à..., continua em frente pela direita sempre a descer.
AA - Certo.
PC - Pronto, agora vai descendo...
AA - ...Espere aí. É que eu já tinha caminhado um bocado... Pronto, eu estou aqui, cheguei nesta rotunda.
PC - Qual rotunda?
AA - Eu... Tem a... que diz assim: Porto...
PC - Porto. Pronto. O senhor aí vem para baixo. Em vez de ir para o Porto, vem para baixo.
AA - Pronto, venho para baixo. Tem... E depois não tem uma rotunda, que até tem umas flores no meio?
PC - E o senhor vem sempre em frente para baixo...
AA - Venho sempre em frente. Continuo sempre em frente.
PC - Sempre em frente. Dá meia volta à rotunda e vem por aí abaixo.
AA - Certo. Vou à zona da Madalena, não é?
(ndr: as indicações continuam por largos minutos, apesar de Pinto da Costa ter dito em tribunal que desconhecia que iria ser alvo de uma visita)...
AA - Exactamente. À minha esquerda é o “Clube da Madalena”.
PC - E o senhor vem, vem aí e vai chegar à frente.
AA - É sentido proibido, tenho que virar à direita.
PC - À direita. É uma rua larga, estão aí muitos gajos aí parados e encostados,...
AA - É, parece que é “para a viola”...
PC - É “para a viola” e o senhor vem em frente.
AA - Exactamente.
PC - E nessa rua larga, vira à esquerda.
AA - Aqui já estou eu.
PC - Vira à esquerda.
AA - Já estou eu na, na esquerda
PC - E no fundo, vira à esquerda.
AA - Outra vez na esquerda.
PC - Outra vez na esquerda. E depois vai em frente...
AA - Já vou.
PC - ... e no fundo dessa rua tem uma (imperceptível) que diz praia...
AA - Exactamente.
PC - ... e o senhor vira à esquerda.
AA - Viro à esquerda. Aqui vou eu.
PC - E cem metros à frente..., o senhor vira à direita e é nessa rua, na casa que está iluminada.
AA - Ok. Isso já, já, já estou! Já estou a ver!
PC - Já está...

Ele vive

quarta-feira, março 25, 2009

Ia jurar...

...que esta não foi a primeira taça ganha com o contributo de um erro de arbitragem...

Amainem lá, leõezinhos.... há gente com memória...

Em defesa do Sporting

Correndo o risco de postar uma mensagem auto-flageladora, gostava de perguntar às pessoas que dizem que o Sporting é incoerente por não ser tão espalhafatoso a clamar por verdade desportiva quando é beneficiado pela arbitragem, se já viram alguma manifestação de pessoas agradecendo a governantes um qualquer pacote de medidas pró-emprego com a mesma pujança com que reclamam contra (as medidas dos?) políticos?

A pergunta é longa, mas sei que não escrevo para iletrados.

terça-feira, março 24, 2009

Sílvio Cervan



Há quantos anos é que o Benfica não estava tão bem representado num "show de bola" sem bola? Não sei precisar, mas respondo: desde que a Leonor Pinhão deixou de representar o Benfica nos "Donos da Bola".

Admito que detestava o estilo de Cervan enquanto deputado do PP, mas, para "O Dia Seguinte", a pinta é a ideal. Dias Ferreira e Guilherme Aguiar, velhos aliados, bem que tentam, mas Cervan não dá abébias: concorda quando estes têm razão, ou quando os factos são por demais evidentes (qualidade básica que os outros dois marretas já evidenciaram não possuir em diversas ocasiões), e mete o dedo na ferida quando a dupla bacoca tenta contornar o que é factual.

Um exemplo que me vem à cabeça ocorreu ontem, quando Dias Ferreira procurou apontar que durante todos os penaltis tinha havido movimentação irregular por parte dos guarda-redes. No entanto, o velhadas só dizia "olha ali, um passo à frente", tentando roubar mérito a Quim. Quando Tiago também avança, calava-se. Não faz mal, Cervan também lembrava "olha, passo à frente". No fim, o benfiquista ainda procurou dissipar as dúvidas: "então, mas estava a referir-se a todos os penaltis [depois de se verificar que Tiago também prevaricara, mas com muito menos eficácia e talento], ou só aos de Quim?". A resposta? Silêncio.

Quanto a Aguiar, recorre-se ao levantar do tom de voz, como animal que rosna mais alto para provocar medo, mas o aumentar de volume não lhe aumenta a razão dos seus argumentos (?).

Uma delícia.

:O

segunda-feira, março 23, 2009

Nota para Soares Franco

É o meu pet peeve com este senhor (que até é de família benfiquista):

"Pa" deve ser substituído pelo uso de "para";
"Cas" deve ser substituído pelo uso de "que as";
"Tá" deve ser substituído pelo uso de "está".
"Tae" deve ser substituído pelo uso de "estar".

domingo, março 22, 2009

Lucílio dá o empate, Quim dá a vitória

Taça da Liga - Final
Sporting CP 1 - 1 SL Benfica

(jogo ganho pelo Benfica no desempate pela marcação de grandes penalidades)

O Benfica venceu a Taça da Liga 2008/09 e tornou-se no único clube português com os principais troféus de futebol: Campeonato, Taça de Portugal, Supertaça e Taça da Liga.

Lucílio Batista deu uma ajuda, ao assinalar um penalty inexistente e que permitiu que o jogo chegasse ao desempate por grandes penalidades. O árbitro não deu a vitória ao Benfica, mas é inegável que contribuiu de forma decisiva para que o Sporting não chegasse ao fim dos 90 minutos em vantagem. Nisso, terão razão os sportinguistas. Mas, na marcação das grandes penalidades, em igualdade de circunstâncias, foram piores e perderam. Tão simples quanto isto.



Em relação ao resto do jogo, foi um espectáculo muito fraquinho - o que não impede de ter sido uma partida animada, com bolas na trave, falhanços clamorosos, cortes em cima da linha, etc. O Sporting marcou num lance em que Liedson se encontra completamente sozinho, e ainda assim teve de ser Pereirinha, com alguma sorte à mistura (a bola ainda vai ao poste) a empurrar para o golo. Até este lance, o equilíbrio tinha sido rei.



Apesar de se encontrar em desvantagem, o Benfica não teve nenhuma reacção especial, e o penalty caiu o céu. Só depois, já em vantagem numérica, é que se notou (pudera!) um verdadeiro ascendente de águias sobre leões. Gostei de ver Aimar atrás de dois avançados com características complementares, Gomes e Suazo, apesar do fraco rendimento evidenciado pela dupla. O português teve um lance nítido de golo, mas falhou (fácil demais?); o hondurenho não é o mesmo super-jogador que embasbacou Portugal, no início da época.



Quique mostrou coerência, ao não falar da arbitragem, e lembrou que também não comentou o penalty inexistente de Yebda, no Dragão. O espanhol ganhou o primeiro troféu pelo Benfica, uma taça que nenhum "grande" em Portugal tinha no seu espólio, até então. Quanto à menoridade da competição, acredito que a sobranceria de quem desdenhou este jogo só pode ter relação directa com a inveja de não ver a sua equipa naquele estádio, ontem, a levantar a taça.

O resto é conversa.

FORÇA, BENFICA!

segunda-feira, março 16, 2009

Champions por um canudo...

Liga Sagres 2008/2009
SL Benfica 0 - 1 Vitória (de Guimarães)

O Benfica perdeu contra o Vitória de Guimarães e terá comprometido definitivamente as suas aspirações ao título. Para piorar a situação, neste momento o Benfica não depende exclusivamente de si para chegar à pré-eliminatória da Champions - a equipa de Paulo Bento venceu em casa e alcançou o segundo lugar.

Deixem-me dizer que não vi a primeira parte do jogo, em que se diz que o Benfica até jogou bem. No entanto, vi a segunda, em que a equipa de Quique Flores voltou a não conseguir demonstrar um futebol fluído e eficaz. Tal como em muitos outros jogos, esta época...

Parece, então, que o Benfica voltou ao objectivo inicial da época, em que treinador e director desportivo disseram que o título não era o principal objectivo, pois a estrutura para o futebol começava basicamente do zero. Fica a sensação que, com este plantel, Quique poderia ter feito melhor. Não me esqueço que este treinador fez de Maxi um respeitável defesa-direito; conseguiu dar maturidade e tempo de jogo a três jovens defesas-centrais; e que, finalmente, Di Maria começa a obter rendimento do seu enorme potencial.

Chega? Claro que não - Quique devia ter conseguido a intercontinental, mesmo sem ter sido campeão europeu. Está na hora de cair na real e perceber que, começando do zero todos os anos, começaremos os campeonatos com "menos pontos" que adversários com uma estrutura estável, cujo plantel e esquema táctico apenas sofrem alguns ajustes, enquanto se limam pormenores que acabam por fazer a diferença. É preciso ter paciência, mesmo quando não se ganha. Ainda assim, há quantos anos não chegava o Benfica a esta fase do campeonato ainda com hipóteses reais de ser campeão? Nem irei recordar da fase em que o Benfica esteve "lá em cima" e foi puxado cá para baixo, num sádico exercício de sadismo que arruinou a moral do plantel... É muita fruta.

terça-feira, março 10, 2009

Paulo Bento: o positivista

O treinador do Sporting é o único treinador de "top" (aspas não utilizadas por uso de estrangeirismo, diga-se) que faz um resultado de 5-0 parecer uma boa coisa.

Para Paulo Bento resta sempre o futebol distrital, em que tamanhas abadas são banais.

E os números do euromilhões são...



I swear it's true.

Homenzinho



João Pereira é um jogador com um ótimo potencial e com um bom futuro pela frente, agora que parece ter refreado alguma da imaturidade que revelava no Benfica. Assim sendo, penso que teria lugar no plantel encarnado.

Não leiam o título de forma depreciativa; gostei realmente da entrevista de João Pereira ao maisfutebol. Destaco as frases mais importantes:

Acerca da dispensa do Benfica:
«O que me magoou foi a atitude, ninguém me dizer na cara, pessoalmente, que não contava comigo. Tive de ser eu a entrar em contacto com eles. Mas enfim, as pessoas passam, o clube fica e isso é o mais importante.»

Acerca de um possível regresso:
«Nunca fecho portas em lado nenhum. Gostei muito de jogar no Benfica, passei lá bons momentos, tenho muito a agradecer ao Benfica. Foi lá que me formei, fui lá que tive a minha oportunidade nos seniores, por isso é impossível guardar mágoa ao clube.»

Acerca do seu percurso pós-Benfica:
«Ao princípio foi um pouco confuso passar do Benfica para a Liga de Honra. Mas foi uma boa experiência para mim, o treinador Paulo Alves ajudou-me imenso, fez-me ver coisas importantes, fez-me assentar os pés no chão porque eu vinha do Benfica com a cabeça na lua. Pensava que era um jogador com dimensão e não era.

(...)

As coisas depois estagnaram e tive de dar um passo atrás para estar aqui hoje. Acima de tudo por responsabilidade minha. Estava no clube onde sempre sonhei jogar e por estar dentro de campo perante 60 mil pessoas sentia em demasia o peso da camisola. Também pelo sentimento que tinha pelo clube. Isso prejudicou-me um pouco. Por isso também nunca culpei ninguém do clube pela minha saída, porque acho que tive oportunidades suficientes e não as soube agarrar.»

Acerca de Miguel Lopes, ex-Benfica e reforço portista que se auto-entitula como o melhor defesa direito a jogar em Portugal:
«Falar é fácil. O Miguel Lopes é bom jogador, mas temos de o provar dentro de campo. Não vale a pena estar aqui a dizer que eu sou o melhor ou que o outro é o melhor. Isso é subjectivo. Se ele acha que é o melhor, parabéns.»

segunda-feira, março 09, 2009

Benfica supera Naval difícil de abater

Liga Sagres 2008/2009
Naval 1º de Maio 1 - 2 Sport Lisboa e Benfica
(Aimar, Katsouranis)

Custou, mas foi. Depois de ter entrado a ganhar, com um golo de Aimar aos 3 minutos, o Benfica voltou à sina de não conseguir segurar o jogo nem o resultado. Resultado: a Naval chegou ao empate de forma justa.

Mas... desta vez, a rapaziada acordou. Depois de sofrer o golo (em boa verdade, pouco antes já Di Maria tinha espetado uma solha na barra navalista), a equipa de Quique reagiu com uma raça invulgar. Di Maria esteve em muito bom plano (novamente!), e chegou mesmo a assistir Cardozo para o que seria um golo de bandeira - o chapéu saiu com as medidas certas, mas com a direcção errada.

Depois de uma falta mal assinalada à equipa da Figueira da Foz, Reyes vestiu a bata e serviu um lance de laboratório: assistência para Miguel Vítor (belíssimo jogador; aquele corte "à Gamarra", dentro da área, foi lindo) que besunta a bola com açúcar para a cabeça gulosa de Katsouranis. O grego, que na gala dos 105 anos do Sport Lisboa e Benfica foi considerado o Jogador do Ano, facturou e selou a vitória encarnada.

Importantíssimo triunfo, já que a equipa jogava sobre as brasas de uma vitória indiscutível do Sporting sobre um tenrinho Paços (aquele primeiro golo é um lol - sim, acabei de o dizer), e ainda de uma categórica "sova" da equipa de Jesualdo sobre a turma do convencido José Mota. Na altura de puxar dos galões, o Leixões foi uma merda: um penalty à moda da Madeira, falta de reacção (não apenas de Beto, que só mergulhou uma vez em toda a noite, no penalty de Lucho) da equipa... enfim. Hilariante, a equipa de Matosinhos. Quase ao nível de Helton, um excelente guarda-redes que será recordado pelos seus frangos monumentais.

Sobram nove jornadas e o FC Porto só não será campeão se não quiser. Ao Benfica, resta a Taça da Liga, para vingar a derrota frente ao Sporting, já que os jogos contra o Nacional, Setúbal e FC Porto (só para dizer três) puxaram a equipa de Rui Costa para baixo quando estava em cima. Quando contar aos meus filhos que uma equipa com os jogadores que o Benfica teve em 2008/2009 perdeu o campeonato para este FC Porto, aposto que o "conto dos anos 80" já vai fazer mais sentido.