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segunda-feira, março 02, 2009

Benfica ganha pontos a três adversários directos

Liga Sagres
SL Benfica 2 - 1 Leixões
(Elvis p. b., Nuno Gomes)

Ao vencer o Leixões (antes do início do jogo, quarto classificado), o Benfica sacudiu o Leixões da sua posição e, com o empate entre FC Porto e Sporting, ganhou pontos ao líder e ao eterno rival de Lisboa.

A equipa entrou muito bem, com uma primeira meia-hora de grande nível. O primeiro golo, aos 16 minutos, não foi grande surpresa. Elvis, em situação extremamente complicada perante cruzamento de Reyes (e com Cardozo nas costas), jogou para onde podia - só que resultou em autogolo.

Rúben Amorim pôde jogar na sua posição, que tantas vezes é tapada por Yebda (pelo poderio físico) ou por Carlos Martins (pela colocação das bolas paradas), e jogou bem... até ter de sair, por lesão. A posição estava amaldiçoada, já que Carlos Martins, ao entrar, levou com um cartão amarelo por ter entrado sem autorização. Amadorismos... Ainda assim, fica longe do lance que protagonizou no Sporting, quando conseguiu ser expulso em 5 minutos (no Restelo).

Na segunda parte, o Benfica entrou novamente bem, com Reyes a querer recriar o lance em que marcou ao Sporting. Desta vez, o guarda-redes chamava-se Beto e defendeu com mestria. Sem sentir a pressão de se arriscar a empatar, ou talvez por causa disso mesmo, o Benfica procurou o segundo golo e conseguiu-o. Após cruzamento de Cardozo ("ai, se ele soubesse usar o pé direito..."), o recém-entrado Nuno Gomes "partiu" o keeper leixonense com um cabeceamento corajoso (aquele pé malandro do defesa...) contra o movimento de Beto. Tal como no primeiro golo, o guarda-redes do Leixões fcou a ver navios após um cruzamento.

Com dois golos na sacola, apesar da história bem recente (tantas vantagens de dois golos esbanjadas, em casa), Quique decidiu mexer na equipa, esgotando as substituições. Balboa entrou, por Di Maria (está a crescer...). O pior foi que, depois do golo de Nuno Gomes, Carlos Martins "berrou" e teve de sair. A equipa teve de jogar 20 perigosos minutos em desvantagem numérica - eu não disse que a posição estava almadiçoada?

Mais perigoso ficou o resultado quando, num lance confuso, Balboa (sempre ele...) não consegue aliviar a bola que sobra para Rodrigo, que finaliza sem rodeios. Já com Chumbinho em campo - a estrela que quer "sair para um clube grande" no fim da época -, a equipa de José Mota fez tudo para chegar ao empate.

O Benfica serviu-se do que tinha, incluindo o anti-jogo. Razão teve José Mota quando barafustou com a falsa lesão de Katsouranis (fez o que lhe cabia, tentando quebrar o ímpeto do ataque leixonense; se alguém quisesse "acreditar" que o fizesse a seu risco...) - o grego não tinha nada.

O jogo acabou com a vitória do Benfica. Os ânimos não serenaram. Entrou a polícia de choque pelo túnel de acesso aos balneários. Treinadores e jogadores demoraram a chegar À flash interview. Com ar de quem nos quer comer por parvos, treinadores e jogadores disseram que não se passou nada. Terá havido acordo de bastidores (literalmente), para surpresa e desgoto de muitos? Sabe-se que Rui Costa e João Gabriel foram identificados pela polícia. O Director Desportivo do Benfica vai ser novamente multado - parece que não lhe dói, que andar por onde não deve, a fazer o que não se sabe, vale o risco e a coima. Eles lá sabem...

Para a semana, há Leixões-FC Porto. É o jogo do ano, até ver. Talvez seja a última equipa que resta, em calendário, com capacidade para ganhar à equipa de Jesualdo Ferreira. A apimentar o jogo que até já teve o seu ponto alto numa final da Taça de Portugal ganha pela equipa de Matosinhos... nas Antas (!!), sabe-se que o FC Porto já revelou interesse na contratação de Beto. Agora já nem estão a gozar connosco, estão a gozar com ele.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Hoje não foi um dia qualquer



Hoje, o Benfica mostrou ser o único "grande" a saber ganhar ao Leixões, em casa.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Espírito de equipa triunfa sobre desinspiração individual

Liga Sagres
Sporting CP 3 - 2 SL Benfica
(Reyes, Cardozo)

O Benfica deixou o FC Porto alargar a distância, na luta pelo título, ao perder contra o arqui-rival Sporting.

A equipa de Quique apresentou-se na máxima força (apenas Moretto estava inapto) contra um Sporting que teve as suas baixas de vulto. Correndo o risco de dizer adeus ao título em caso de um resultado que não a vitória, a equipa de Paulo Bento encontrou entrosamento para bater o Benfica sem margem para dúvidas.

Enquanto a primeira parte foi animada, com um ping-pong de ataques e contra-ataques equilibrado, na segunda metade "só deu" Sporting. Os verdes-e-brancos chegaram à vantagem com um golo fenomenal de Liedon (nota dez para o excelente avançado do Sporting), depois de um lance em que David Luiz poderia ter evitado complicar. Deu canto. Deu golo. O empate aconteceu após um penalty indiscutível de Polga sobre Suazo, e que Reyes não desperdiçou. Entre golos, o Sporting pode queixar-se de um penalty não assinalado por Olegário Benquerença (esteve bem no resto do jogo), a castigar "braço" de Maxi Pereira dentro da área do Benfica.

Na segunda parte, o Benfica não teve argumentos para o constante sufoco provocado pelos jogadores do Sporting, que chegou à vantagem de forma perfeitamente natural. Com o marcador a ser reduzido, já no fim do jogo, por Cardozo, o resultado terá sido simpático para o que se assistiu na segunda parte - a fazer lembrar o pesadelo dos 5-3 do ano passado, para a Taça de Portugal.

Acreditem que me chateia mais ter empatado com o FC Porto, quando devia ter ganho, do que perder desta forma contra o Sporting. Há três resultados possíveis, no futebol. Calhou derrota, não é o fim do mundo. Ainda há muito campeonato pela frente, e o Sporting ainda pode "empatar" o FC Porto neste sprint final, com o jogo do próximo fim-de-semana...

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Benfica mostra como tornar um jogo emocionante

Liga Sagres
SL Benfica 3 - 2 Paços de Ferreira
(Cardozo, Amorim, Di Maria)

Um dia depois da emocionante reviravolta do Sporting, em Belém (que golão de Postiga!), e poucos minutos depois do fim do sofrimento portista (ver post anterior...), o Benfica recebeu o Paços de Ferreira na Luz. Boa casa, bom relvado, a equipa só tinha de ganhar - e ganhou.

Quique apostou novamente em Moreira (que esteve em bom plano, não tendo culpa em nenhum golo) para a baliza. No resto da defesa, os centrais foram os sólidos Luisão e Sidnei, enquanto Jorge Ribeiro foi titular devido à ausência de Maxi Pereira. Confuso? David Luiz passou para a direita, abrindo uma vaga à esquerda, ocupada pelo irmão de Maniche.

No meio-campo, Katsouranis continua a ser dono e senhor do miolo, sendo auxiliado por Carlos Martins (só tem servido para as bolas paradas...). O ex-Sporting jogou porque Quique quiz poupar Yebda para o próximo jogo, em Alvalade. Nas laterais, Reyes e Amorim. Enquanto o espanhol teve uma exibição confusa (o seu trabalho não rendeu assistências ou golos; chegou a desistir de um lance para pedir uma falta; ia marcando um golão), o "Moutinho do Benfica" voltou a estar em grande plano e marcou um golaço à "Fifa09". Volto a repetir, enquanto este rapaz tiver o lugar tapado na Selecção, o Benfica só tem a ganhar com este tesouro só seu...

Na frente: Aimar e Cardozo. O argentino confirma o crescendo de forma que se tem verificado nos últimos jogos, pese uma exibição mais discreta (o Benfica não sabe pegar no jogo contra equipas mais pequenas...) que não compromete as minhas esperanças de uma excelente jogatana contra os rivais de Alvalade. Cardozo marcou um daqueles golos fáceis (para quem nunca chutou num esférico), de baliza aberta - mas com o ângulo fechadinho e com o Estádio da Luz a suster a respiração até ao beijo da redondinha na malha. Uma pressão que já quebrou jogadores como Nuno Gomes, por exemplo - aliás, penso não ter sido o único a pensar que "o Nuno Gomes não marcava esta". De qualquer forma, quem fica mal na fotografia é Cássio, guarda-redes do Paços, que foi decisivo neste "abrir de livro" quando os nervos já apertavam.

Em relação aos suplentes, o referido Nuno Gomes não trouxe nada mais ao jogo que não a sua habitual movimentação e ocupação inteligente dos espaços. Já Di Maria 2.0 foi o responsável pelo espevitar do jogo encarnado na segunda parte. Digo "2.0", pois este é o Di Maria a que nós, "simples adeptos", não temos acesso diariamente e que será o responsável por sucessivas convocatórias e titularidades, quando o rendimento demonstra ser claramente negativo, jogo após jogo. Ontem, não. O Maradona devia estar a ver o jogo pela justin.tv, porque o Angelito jogou que se fartou - foi chegar a tempo a bolas perdidas, foi cruzar, foi sprintar, foi marcar um golão de fora da área naquela bolinha que estava mesmo a pedir um balázio... parabéns. Assim, sim.

Ah... Quanto ao Paços, marcou sempre que estava a perder por dois; excepto no fim do jogo, quando ia empatando no último minuto (impróprio para cardíacos, aquele par de minutos final). Valeu-nos o poste, como já tinha valido a barra aos pacences na primeira parte. Tenho uma memória tramada.

Se tudo correr como previsto, o Benfica deverá fazer um excelente jogo contra o Sporting (oh, não, o Benfica está "melhor que o Sporting!, vamos perder! isto é uma ciência exacta para o dérbi da capital*!), procurando manter ou encurtar as distâncias para o FC Porto.

Há quantos anos o Benfica já não chegava a esta fase do campeonato em condições de disputar, realmente, o primeiro lugar? Estará o FC Porto mais fraco porque não consegue a margem pontual com que tinha vindo a habituar os seus adeptos (e o Benfica novamente mediano), ou estará o campeonato mais difícil para "os grandes", de tal forma que o clube de Pinto da Costa está igualmente forte para um campeonato estranhamente mais forte (com um Benfica mais forte)? Infelizmente, penso que o Benfica está apenas uns furos acima do Benfica do ano passado, estando o FC Porto a pagar pela má gestão de Pinto da Costa, que dispensou os anéis (ficaram os dedos...), mas que ainda chega para as lides internas... por pouco.

*Classificação comum para a maioria dos portugueses, excepto para alguns sportinguistas que acham que o maior dérbi de Lisboa se joga entre Sporting e Belenenses - não preciso de link quando a memória me basta.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Clássico Roubo

Liga Sagres
FC Porto 1 - 1 SL Benfica
(Yebda)



Novo clássico, novo penalty cavadíssimo a favorecer o FC Porto, que não consegue marcar de outra forma ao Benfica. Pedro Proença ("o árbitro do Benfica que ajuda o Porto") acabou por ser o protagonista do jogo, ao crer na trafulhice de Lisandro. Clássico roubo: na frente do campeonato, tudo na mesma. No futebol português, também.

Gostei da atitude do Benfica e da táctica montada por Quique Flores. Depois de resistir ao pressing inicial da equipa de Jesualdo Ferreira, os jogadores encarnados também deram ares da sua graça e acabaram a primeira parte na liderança. No seguimento de um canto, Yebda, sozinho na área portista, fez um golo à Katsouranis: à entrada da pequena área, e ao FC Porto...

A defesa do Benfica esteve em muito bom plano. Moreira mostrou a segurança que alimentou as esperanças de muitos benfiquistas, quando este guarda-redes ainda era (mais) jovem. Defendeu o que havia para defender, à excepção do penalty. Não se lhe podia pedir mais.

Sidnei e Luisão foram sólidos e eficazes. Luisão continua a ser a voz de comando daquele bloco defensivo, e está em grande forma. Sidnei, regressado à equipa, mostrou que (até) um lentinho consegue ganhar um sprint ao Hulk. Aquele despique com Hulk, em que come porrada e ainda assim bate o super-herói e fica com o esférico, foi assinalável.

Nas laterais, Maxi e David Luiz são duas soluções de recurso que, cada vez mais, jogam como primeiras escolhas. Sem amuos por jogarem fora da posição...

Meio-campo: Katso e Yebda foram os primeiros tampões para a enxurrada de ataque com que o Porto começou o jogo. O grego está para o meio-campo como Luisão está para a defesa: não deslumbra, mas a solidez e os recursos que apresenta são de uma competência que serão sempre uma garantia para qualquer treinador. Yebda fica relacionado com os dois golos, mas só teve mérito num, e nenhuma culpa no outro.

Reys e Amorim. O artista e o operário. O pianista e o homem das mudanças. Com a bola nos pés, o espanhol é um regalo para os olhos. Ao contrário do que acontece com Di Maria, o cigano percebe que o percurso da bola tem um fim e um destino. Não fez um jogo deslumbrante, mas fica registado que fez a assistência para o golo de Yebda. Já Amorim é uma espécie de João Moutinho do Benfica: uma técnica assinalável, sem exageros fúteis e inconsequentes, uma qualidade de passe exemplar, a atitude de "primeiro a equipa"... Excelente contratação.

No ataque, Aimar e Suazo. O argentino confirma a ascendência da sua forma, revelando armas que até então não tinha conseguido aplicar em campo. A paz com que brindou os companheiros, na altura do sufoco provocado pelo ataque portista no início da primeira parte, pausando e pautando o jogo, foi providencial. Suazo, regressado de uma lesão, fez um bom cabeceamento ao abrir da segunda parte. That's it.

Os suplentes: Di Maria, Nuno Gomes e Carlos Martins. O argentino foi mais do mesmo: de assinalar, mais uma lance de perigo desperdiçada e a deixar Aimar à beira de um ataque de nervos, quando se assistia a um "dois-para-dois" contra a defesa portista. Nuno Gomes não entrou a tempo de alterar o desfecho do jogo, mas fez aquilo que os 10 minutos em campo permitiram, segurando e trocando a bola na frente do ataque. Carlos Martins teve o privilégio de ver o árbitro parar o jogo para que o jogador entrasse para bater o último livre do encontro. Sem arregaçamentos, desta vez.

O que fica para a história é o empate, mais um empate injusto para o Benfica (lembro-me de mais dois, assim de repente...) e que puxa a equipa de Lisboa para baixo. Foi um clássico à imagem das últimas três décadas de futebol em Portugal: clássico roubo, claro está...

Não sou eu quem o diz

Momento mais complicado:
70' Penálti a favor do FC Porto: decisão correcta? Yebda faz falta sobre Lisandro na área?

Jorge Coroado
No critério do árbitro, claro que sim. Mas objectivamente foi uma decisão precipitada e errada, pois Lisandro é que se fez à falta, justificando assim cartão amarelo e livre indirecto contra a sua equipa e não a grande penalidade conquistada.


Rosa Santos
Parece que Yebda toca com o braço em Lisandro, mas não vejo que haja intensidade suficiente para que o árbitro assinalasse grande penalidade. E, além disso, o francês não toca com a perna no seu adversário.

Em resumo, não encontro motivos para se considerar castigo máximo.


António Rola
Não. Yebda não tocou em Lisandro. O árbitro devia exibir cartão amarelo ao jogador do FC Porto por simulação e não grande penalidade contra o Benfica, pois

Assim, cometeu um erro grave com influência no resultado.


Outros casos
18' Há grande penalidade no contacto entre Reyes e Lucho na grande área do Benfica?


Jorge Coroado
Reyes pisou e prendeu o pé direito de Lucho, fazendo penálti. O médio portista não foi artista, procurando jogar a bola e não ficar no solo como outro faria. Nas grandes penalidades não há lei da vantagem.

Rosa Santos
Aqui sim. O árbitro deveria ter marcado penálti, atendendo a que houve contacto. É verdade que o jogador do FC Porto não caiu, mas nas grandes penalidades não se dá lei da vantagem. Erro grave.

António Rola
Lucho sofreu um ligeiro toque no pé, desequilibrando-o. No entanto, não o impediu de continuar com a bola e em perfeitas condições de a jogar. Concordo com a decisão do árbitro ao nada assinalar.

in O JOGO
Resumindo, neste painel de ex-árbitros de O JOGO (que vêem e revêem o jogo pela TV, ao contrário do árbitro e respectivo observador) é unânime a opinião de que o Benfica foi prejudicado no lance capital do jogo (penalty sobre Lisandro). No outro caso do jogo, há margem para dúvidas, pelo que se aceita que não se tenha marcado nada...

Não fui eu que o disse...

FP Memória: para os portistas, com naftalina

Quando Suazo, após ligeira carga de Júlio César, não aproveitou para se deixar cair na área do Belenenses, cavando um penalty por explorar um toque demasiado tímido para impedir que conseguisse acabar a sua jogada, o que se disse?
A) é bem feito, devia ter-se mandado ao chão;
B) este gajo é um Senhor, continuou a fazer-se ao lance em vez de tentar enganar o árbitro.

Enfim, ninguém achou que fosse verdadeiramente penalty. Tanto, que o jogador prosseguiu com a jogada. Nem é um caso de lei-da-vantagem. Simplesmente não houve penalty.

Agora, mudem o nome dos protagonistas para David Luiz e Lucho Gonzalez (que nem um protesto esboçou), e lá se vai a resposta dos "azuis-e-brancos" menos iluminados, quando confrontados com a obscenidade da grande-penalidade assinalada contra o Benfica, esta noite...

domingo, fevereiro 08, 2009

Hoje não é um dia qualquer...



...hoje joga o Benfica!


Força, rapazes!

A minha aposta: um jogo com muitos golos, se alguém marcar antes dos 20... ou um empate italiano, se as equipas tiverem tempo para se ajustarem entre si...

Quim
Luisão, Sidnei
Miguel Vítor, David Luiz
Katso, Carlos Martins
Amorim, Reyes
Suazo e Cardozo

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Mantorras alimenta o sonho

Liga Sagres
Benfica 1 - 0 Rio Ave

(Mantorras)



O Benfica venceu o Rio Ave, último classificado da Liga Sagres e habitual "pedra-no-sapato" das equipas chamadas grandes, num jogo muito feio de se ver. A grande culpada da pobreza do espectáculo foi a persistente chuva que durante todo o dia foi alagando o relvado da nova Luz, que ficou completamente inundado em certas zonas do campo. Restou o golo salvador de Pedro Mantorras, que "molhou a sopa" quatro minutos após ter entrado em campo. Se a sua presença nos corredores laterais para exercícios de aquecimento já anima o público, vê-lo marcar um golo na Luz já é um fétiche, um momento com uma espectacularidade singular e que justifica o preço do bilhete.

Sem Suazo, lesionado, Quique Flores apostou em Cardozo; Nuno Gomes foi escalado para a posição do frágil Aimar - com uma condição física inadequada para a "batalha no dilúvio" que se antevia. O paraguaio foi o melhor em campo, acertando no poste dos vila-condenses por duas vezes, e sendo o principal responsável pelas melhores jogadas dos vermelhos. Na ausência de Katsouranis (curioso timing para o castigo), Carlos Martins ocupou uma das peças do meio-campo que, de tão encharcado, não deixou o português fazer as suas movimentações características. Na retina, fica o livre directo à Deco, que o guarda-redes do Rio Ave foi buscar ao ângulo.

Depois desta vitória, o Benfica mantém a distância para o FC Porto (que ganhou a um Belenenses que havia andado a passear por Angola durante a semana) e isolou-se na perseguição ao líder, pois o Trofense voltou a empatar as pretensões de um grande de Lisboa; desta vez, calhou a fava ao Sporting, que não conseguiu vencer a turma de Tulipa.

As próximas semanas deverão ser o pico deste campeonato (a menos que o Benfica o ganhe, lá está...), com jogos entre Benfica, Porto e Sporting. Que ganhe o melhor, e que o melhor seja o Benfica.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Benfica não consegue segurar a liderança

Liga Sagres
Belenenses 0 - 0 SL Benfica



O Benfica voltou a deixar escapar a liderança do campeonato para o FC Porto, depois de ter empatado no Restelo. A equipa de Quique Flores não soube aproveitar as boas oportunidades de que dispôs e acabou por se sujeitar ao perigo belenense.

Tanto Aimar como Suazo dispuseram de excelentes ocasiões para colocar o Benfica em vantagem, mas desperdiçaram as chances de forma quase escandalosa. O que me leva a perguntar - apesar de mais uma exibição banal contra uma equipa que já estudara o líder para a Taça da Liga, dias antes, qual é o treinador que resiste a isto? Se, a isto, somarmos mais uns desacertos por parte da equipa de arbitragem (excelente placagem impune sobre Suazo), estamos conversados...

Para a semana, o Benfica visita o FC Porto, onde pode reconquistar a liderança. A equipa de Jesualdo jogou bem contra o Braga, mas voltou a ser escandalosamente beneficiada. Como Rui Santos apontou, e bem, assim é mais fácil jogar bem. Hulk está fora-de-jogo quando assiste Rodriguez para o 1-0. Helton faz penalty sobre Meyong, com uma bela palhetada nas pernas do camaronês. Alan é puxado dentro da área portista de tantas formas e feitos que teve de se atirar ao chão para se certificar que o árbitro não estava a olhar para as bancadas. Há um defesa do FC Porto que corta um lance dentro da área com o braço, impunemente. O filme dos últimos 30 anos repete-se.

Vá lá, que António Salvador não esteve com meias medidas e teve a coerência de se voltar (e bem) a vitimizar pelo roubo de que o clube que preside fora alvo - já Jorge Jesus quase que pediu desculpas para apontar os erros do árbitro, em claro contraste com algumas das justas queixas que fez, em Lisboa. O mesmo Jorge Jesus que não se importou que Juninho Petrolina fosse expulso no Dragão, quando havia sofrido uma falta, ainda na primeira-parte do jogo. Pode ser que a memória selectiva coloque a sportinguista Paula Rego num poleiro do Norte mais apetecível...

domingo, janeiro 11, 2009

Benfica mantém-se na luta pelo título com golo irregular

Liga Sagres
Benfica 1 - 0 Braga
(David Luiz)



O Benfica venceu o Braga e alcançou o Sporting na liderança provisória do campeonato (à hora que escrevo este texto, o FC Porto ainda empata no Dragão com o Trofense). Flores venceu Jesus num jogo em que nenhuma equipa se conseguiu impôr de forma clara sobre a outra, pelo que o golo de David Luiz materializou a margem mínima com que se construiu a vitória vermelha.

Acontece que David Luiz estava claramente fora-de-jogo antes, durante e depois de Aimar bater o livre que originou o golo do brasileiro. O lance foi considerado legal pela equipa de arbitragem, e o golo foi validado. Deduzo que o silêncio será a reacção dos dirigentes do Benfica, pois a sua equipa foi decisivamente beneficiada. Só o digo para sublinhar um comportamento que nem é exclusivo por parte dos dirigentes da Luz - só se comentam arbitragens quando estas nos são desfavoráveis. Anormal seria meter o dedo na ferida.

Eu sei que o adversário era um "osso duro de roer", com um treinador que sabe da poda, mas espero que a equipa comece a pensar em estabilizar o seu futebol e a melhorar a qualidade das suas exibições. O Benfica nunca conseguiu assumir o jogo nem apresentar soluções para a elevada pressão por parte dos arsenalistas.

Suazo esteve muito sozinho na frente do ataque. Aimar não apresenta índices físicos condizentes com os de um profissional de futebol (mal aguenta um contacto) - se é titular pelas tabelinhas, aguentava-se Nuno Gomes e poupava-se uma pipa de massa (só em Aimar e Balboa terão sido desperdiçados 10 milhões de euros). Maxi Pereira é esforçado e voluntarioso, mas não é a solução ideal para a posição de defesa direito. Di Maria não consegue cumprir os mínimos que justifiquem a sua contratação, quanto mais ambicionar jogar em Madrid... Yebda, apesar de muito lutador e fisicamente imponente, perde muitas bolas com maus passes.

De positivo, ressalvem-se as exibições de Miguel Vítor (sentou Sidnei, dias depois da renovação até 2013), Luisão (tem estado seguro), David Luiz (pelo golo, ainda que ilegal, e pelos cortes certeiros), Moreira (várias intervenções de muito bom nível e de elevada dificuldade), Ruben Amorim e Katsouranis (os melhores do meio-campo).

Ainda assim, pese o penalty desperdiçado por David Suazo, o Benfica conseguiu uma importante vitória, que deverá deixar os jogadores mais tranquilos durante o trabalho semanal e servir de motivação para o jogo de quarta-feira contra o Olhanense, para a Taça da Liga.

domingo, janeiro 04, 2009

Escândalo na Trofa!

Liga Sagres
Trofense 2 - 0 Benfica




O Benfica perdeu pela primeira vez para a Liga Sagres, e cedeu a liderança ao FC Porto, que havia ganho horas antes. A turma de Quique Flores deixou-se surpreender na casa do último classificado, uma equipa que se estreia na primeira divisão!

Resumindo o jogo, o Benfica entrou bem e teve algum ascendente sobre o adversário até aos 15 minutos de jogo. Houve dois lances claros de golo, pertencendo a autoria de um deles a um isoladíssimo Aimar, que não conseguiu bater o guarda-redes. Depois, o Trofense fez o seu jogo e explorou o contra-ataque para aplicar o seu veneno. O primeiro golo nasce de um passe a esventrar a defesa vermelha, e em que Moreira volta a sair muito mal na fotografia - foi mais um golo "à Moreira". Tenho sérias dúvidas na legalidade da posição de Reguila, mas ninguém da SportTV teve a coragem necessária para as dissipar.

A segunda parte foi mais do mesmo: o Benfica a afunilar o jogo para as faixas laterais, que ficaram responsáveis por "pensar" a estratégia ofensiva da equipa. Bynia viu um cartão amarelo num lance que é sintomático da sua capacidade para pensar o jogo. O camaronês viu um segundo cartão amarelo numa sucessão de equívocos que é sintomática da capacidade de Quique para antecipar o jogo. O treinador espanhol ainda se defendeu dizendo que tinha a substituição em marcha quando o jogador foi expulso - já era tarde.

De realçar que o jogador que marcou o primeiro golo (ninguém se chama Reguila) já acompanha a equipa desde a terceira divisão. A par de Helder Barbosa (emprestado pelo FC Porto?), o homem do jogo.

A primeira volta ainda não terminou, o Benfica só está a um ponto do líder e não será o último "colosso" a perder contra um David. Não é o fim do mundo, mas exige-se mais a esta equipa - apesar do refrear de expectativas no início da época, por parte dos dirigentes, os adeptos sabem que há potencial para fazer mais e melhor. Uma exigência lúcida e razoável só poderá trazer bons resultados.

PS: Mais alguém ouviu o Luisão aos 35 minutos, após cruzamento de Jorge Ribeiro, a lançar um sonoro "Vai tomá no cú, Jórgi!"? Momento mais hilariante da noite, no meio do descalabro.

PPS: quando se dizia que o Benfica devia ter feito mais para não depender dos árbitros para ganhar os jogos (que teria ganho, sem os erros dos homens do apito), eu dizia que o Benfica tinha feito o suficiente, pois tinha sido roubado em golos que lhe davam a vantagem mínima. Sempre eram quatro pontos que fariam toda a diferença agora. O que eu quero dizer é que também eu gostava que o Benfica ganhásse por "15 a zero", mas sou realista. Esta crise que se vive para os lados da Luz começou com erros clamorosos de arbitragem - só quero deixar registado que o sistema ainda vive...

segunda-feira, dezembro 22, 2008

...hoje joga o Benfica!

Quinze anos é muito tempo. Ate eu, que ainda sou um puto, ainda me lembro da última vez em que o Benfica foi campeão de Inverno - e isto faz-me sentir velho!

Rui Santos meteu o dedo na ferida, no "Tempo Extra" de ontem (e doeu) - o Benfica dos últimos 20 anos tem roçado a mediocridade. Três campeonatos, três taças, três supertaças. É muito pouco.

Não chega fechar o ano em primeiro; Quique poderá dar aos benfiquistas uma prenda de excepção, esta noite - quatro pontos de avanço sobre Leixões e FC Porto, cinco sobre o Sporting.

Força, Benfica! Rumo ao título!

terça-feira, dezembro 09, 2008

Benfica agarra a liderança à segunda tentativa

Liga Sagres
Marítimo 0 - 6 SL Benfica

(Reyes, Suazo, Luisão, Suazo, Nuno Gomes, Nuno Gomes)



O Benfica conseguiu aniquilar a estatísticas mais pessimistas para o jogo do caldeirão dos Barreiros: a equipa insular nunca tinha sofrido um golo em casa, e apenas tinha sofrido cinco golos em todo o campeonato.

Depois de uma boa entrada dos encarnados (que jogaram com o genérico "branco"), a que os maritimistas responderam com defesas de enorme categoria, Suazo conseguiu arrancar um penalty que marcaria o jogo. O hondurenho consegue inventar perigo com a sua velocidade, e provocou a expulsão de Marcos, talvez o melhor jogador do Marítimo dos últimos anos.

Com a expulsão do guardião madeirense, tudo ficou mais fácil para o Benfica. Depois do penalty exemplarmente batido por Reyes (a reagir da melhor forma às provocações que foram uma constante ao longo de todo o jogo), o Benfica soube jogar com mais um jogador. Mesmo durante o período de igualdade numérica, notou-se que a equipa de Quique Flores é "outra" quando joga com os jogadores de créditos firmados de que dispõe.

Em relação aos jogadores do Benfica: Suazo é um jogador galáctico para a liga portuguesa; Aimar ainda não está nas condições físicas ideais; David Luiz teve um pormenor delicioso a anteceder o cruzamento para o último golo do jogo; Quim ficou em casa - e bem -, mas deve regressar ao banco no próximo jogo. Moreira esteve bem nas poucas intervenções em que teve de mostrar serviço, mas não penso que seja o número 1 de que o Benfica precisa.

Para não variar, Quique deu mais um exemplo de classe e humildade em mais uma conferência de imprensa plena de lucidez.

Só tenho pena do empate contra o Setúbal. Caso o FC Porto ganhe o jogo que tem em atraso, o Benfica está a meros quatro pontos do 4º lugar...

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Todos temos direito a uma teoria (da conspiração)

Já tinha alertado para isto – se estiver a ser paranóico digam-me. As ausências de Wesley, do Leixões, e Marcelinho, da Naval, melhores marcadores das respectivas equipas, nos jogos frente ao FC Porto voltaram a alertar-me para as alianças mantidas, ora por FC Porto ora por Benfica, no principal campeonato português.

A situação do último fim-de-semana – e que me é mais próxima do que as anteriores – esclareceu grande parte das dúvidas que mantinha em relação a este assunto. No jogo FC Porto-Académica não podem passar em claro as ausências, do lado da equipa de Coimbra, do defesa Edson (jogador emprestado pelo FC Porto) e do médio Nuno Piloto, que, segundo alguns jornais desportivos, terá ficado de fora por ordem expressa do presidente do clube, José Eduardo Simões, na sequência das negociações (pelos vistos falhadas) de renovação do seu contrato.

Estas alianças; estas ausências, por lesões duvidosas (normalmente sofridas em treinos, longe da vista de jornalistas e adeptos) e temporárias; esta submissão de metade das equipas da Liga (como pagamento aos empréstimos do defeso), são nada mais do que uma nova forma de batotice, onde se define, fora das quatro linhas, quem pode ou não defrontar os dragões de Pinto da Costa.

p.s.1: entretanto, Sandro, “capitão” do V. Setúbal e ex-jogador do FC Porto, foi bem expulso no jogo com o Benfica; e na altura, certa, mesmo a tempo de cumprir castigo na recepção ao FC Porto. Falta aguardar, até ao próximo fim-de-semana, pelo anúncio da lesão de Bruno Gama e/ou Leandro Lima.

p.s.2: lamento, profundamente, ver a Académica, instituição com que aprendi a defender outros valores, que não apenas o “bola na rede”, associada a esta instituição. Mas as pessoas vão… e a Académica fica! É tudo uma questão de tempo.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Ambição =/= Pressa

Liga Sagres
SL Benfica 2 - 2 Setúbal
(Katsouranis, Suazo)



É fácil culpar Quim pelo desaire encarnado de ontem. Afinal de contas, foi ele quem falhou no último lance de perigo (contra o Benfica) do jogo.

É fácil esquecer que a equipa apenas jogou 20 minutos de bom futebol, que bem poderiam ter chegado para garantir a vitória.

É fácil apontar o dedo a quem já leva 13 golos encaixados nos últimos três jogos, como se tivesse jogado sempre sozinho (por vezes, parecia...).

É fácil esquecer que a defesa do Benfica tem um par de médios-interiores adaptados às faixas laterais da defesa, que isso é resultado de um mau planeamento - o dinheiro não chega para tudo - e que isso tem um preço.

É fácil esquecer que a zona central da defesa dos vermelhos está desfalcada do seu jogador mais experiente, e que teve de se remendar com dois jovens que, apesar de promissores, ainda dão muito espaço para o avançado armar remates e criar perigos para o guarda-redes.

Não é fácil esquecer que, tivesse sido validado o lance que (...em primeira instância, teve o aval do árbitro para ser legal e que, para todos os efeitos...) ampliaria a vantagem do Benfica para dois golos, a turma da Luz seria líder do campeonato.

O Benfica mantém as distâncias para o líder Leixões, mas perdeu dois pontos para os rivais históricos. Não exijo pressa; exijo ambição.

A culpa não é só do guarda-redes do Benfica, mas chegou a hora de experimentar outra solução na baliza, evitando Quim o desgaste que queimou Ricardo. Nada de mais natural - quando um avançado não marca, experimenta-se um que facture, poupando-o à vergonha dos assobios, sempre que falha; quando um defesa dá fífia atrás de fífia, faz-se o mesmo, e assim por diante...

Eu voto no Moretto. Call me crazy.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Nem de propósito!

Liga Sagres
Leixões 1 - 1 Naval



Nunca estive tão ansioso por uma segunda-feira.
Venha a liderança, pois então!

domingo, novembro 23, 2008

Prova superada com tranquilidade

Liga Sagres
Académica 0 - 2 SL Benfica

(Ruben Amorim, Cardozo)



O Benfica foi (veio?) a Coimbra derrotar a Académica, um ano depois da sua última derrota em casa (contra o Benfica, registe-se).

O jogo foi relativamente equilibrado até ao golo de Rúben Amorim (que se estreou a marcar pelo Benfica) brilhantemente assistido por Nuno Gomes. O avançado português fez parte de um lote de jogadores que não são habitualmente titulares (como Cardozo, Rúben Amorim, Bynia e David Luiz) e que começaram de início . Aimar, Suazo, Jorge Ribeiro, Katsouranis, Di Maria e Carlos Martins foram jogadores que, por impossibilidade física ou por opção técnica, ficaram de fora do "onze".

O Benfica segurou a vantagem até ao intervalo, e a segunda parte começou com um penalty "cavado" por Reyes. O espanhol terminou um slalom por entre vários jogadores da Briosa com uma queda após alegado toque de Pavlovic. Como Rui Santos disse, este é um daqueles lances em que ninguém fica chocado se o árbitro assinalar pénalti - eu ficaria chocado se não assinalasse, registe-se... Óscar Cardozo facturou, e a história do jogo morreu ali. Vitória justíssima para o Benfica.

Com este triunfo, o Benfica continua a um ponto do Super Leixões (ainda com Wesley) e a cinco do Sporting. O Porto não jogou, pelo que está a sete pontos de distância, com um jogo a menos. Acho que, em 27 anos de vida, não me lembro de olhar pelo retrovisor e ver o FCP a sete pontos de distância...

Quique Flores poupou jogadores para o jogo de quinta-feira, contra o Olympiakos. Será um jogo muito difícil, e que provavelmente ditará o afastamento dos encarnados da Taça UEFA - ganhar na Grécia vai ser extremamente complicado. Sou da mesma opinião do Carlos Martins, que prefere ser campeão nacional pelo Benfica a ganhar a Taça UEFA.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Benfica entre gala e trabalhos forçados

Vitória SC - SL Benfica
1 - 2

(Suazo, Sidnei)




O Benfica conseguiu manter-se à frente dos seus rivais históricos, após exibição personalizada e inteligente em Guimarães. Durante a primeira parte viu-se um bom jogo de futebol, com o Benfica a dar a iniciativa do jogo ao Vitória (a estatística da posse de bola merece análise própria), mas com uma pressão imediata sobre o sector defensivo dos vimaranenses, que se viam forçados a jogar mal.

Aos 15', o regressado Aimar mostrou o que pode trazer ao Benfica - classe. Através de uma assistência "de letra", coloca Suazo perante dois defesas vitorianos que, incapazes de susterem o misto de técnica e força do hondurenho, não conseguem impedir o primeiro golo do Benfica. Aquele movimento do Suazo já eu tinha visto no YouTube... agora, serão os centrais do Vitória a ter pesadelos... negros.

Três minutos depois, Aimar sofre (nova) carga e arranca uma falta do lado direito do ataque benfiquista. Reyes consegue mais uma assistência para golo, ao servir Sidnei com um cruzamento açucarado. Previsível, para quem vinha a acompanhar os últimos jogos do Benfica - os pupilos de Cajuda estavam a dormir durante a palestra.

Douglas ainda consegue reduzir para o Guimarães, pouco tempo antes de Reyes ser expulso. O espanhol foi (justamente) sancionado com dois cartões amarelos em cinco minutos e comprometeu toda a segunda parte do Benfica.

Com um jogador a menos para os últimos 45 minutos, Quique abdicou do ataque. Parece que a palestra administrada ao intervalo foi bem recebida pelos jogadores, que foram solidários entre si e ajudaram-se mutuamente de forma a conseguir arrancar uma preciosa vitória fora de portas. Já sem Aimar em campo, o Benfica conseguiu manter o perigo longe da sua área. Para ser sincero, só comecei a "sofrer" a cinco minutos do fim (que só chegaria dez minutos depois) - e apenas por ver o avançar do tempo.

O treinador do Benfica e o resto da equipa estão de parabéns. Até Paco entrou em campo para ganhar uns segundos! Talvez não devesse ter continuado no banco, mas isso é um erro menor para quem não assinalou um penalty sobre Aimar (que, valha a verdade, já ia em queda quando foi varrido dentro da área vitoriana) e não expulsou quem pontapeou Suazo na face. Ia dando, Xistra...


segunda-feira, outubro 27, 2008

Benfica encontra Vitória a minutos do fim

Liga Sagres
Benfica 2 - 1 Naval
(Luisão, Cardozo)



1. O desaparecimento da águia Vitória, assustada com os confétis da festa dos cinco anos do novo Estádio da Luz, foi um mau prenúncio para o jogo de ontem. Com Suazo a ocupar o lugar de Cardozo, que havia rubricado uma exibição medíocre na Alemanha, a equipa de Quique contava também com Yebda, que recuperava o seu lugar no onze inicial. Apesar de Maxi Pereira já se assumir como defesa-direito, o treinador espanhol preferiu apostar na ajuda que Rúben Amorim dá ao uruguaio, ao invés de tentar a sorte com a velocidade de Di Maria.

2. Não vi o jogo todo, mas ficam-me na memória alguns erros graves da equipa de arbitragem: um penalty não assinalado sobre Rúben Amorim e um fora-de-jogo mal assinalado à turma da Figueira da Foz. O jogador navalista ficaria isolado perante Quim! Há ainda um toque de Sidnei, com a coxa, num jogador da Naval, que me parece ter tido grande influência na queda deste. O árbitro decidiu punir o jogador Navalista com um cartão amarelo.

3. Mais um passe teleguiado de Reyes, desta vez a assistir Luisão. O xerife voltava a marcar e o público serenava. Por esta altura, já Quique estava com os nervos em flor, pois os jogadores faziam-se de esquecidos em relação às "lições" ministradas durante a semana - palavras dele, adaptação livre.

4. O golo da Naval foi tão caricato quanto previsível. A equipa da Luz estava a defender muito atrás, e a bola queimava nos pés. Nem Katso, nem Martins (os supostos cérebros da equipa) conseguiam gerir a posse de bola como o contexto obrigava, e a Naval marcava... de joelho.

5. Cardozo, sempre ele. Este jogador tem um faro pelo golo como há muito não se via num jogador que vestisse o Manto Sagrado. Por vezes, passa por completo ao lado do jogo, não trabalha, é estático e desplicente. Enerva. Compensa com verdadeiras «solhas» plenas de veneno, e marca muitos golos. Imaginem se soubesse jogar de cabeça...

6. Jorge Ribeiro assistiu Cardozo de forma milimétrica. É neste aspecto que o português se superioriza a Léo, que nem cruza com tanta precisão e intensidade, nem tem no remate a arma temível do irmão de Maniche.

7. Três anos depois, o Benfica ultrapassa o FC Porto na classificação da Liga Sagres. Sinal dos tempos? Esta jornada teve um gosto especial, pois o FC Porto perdeu com o Leixões (lembro-me da risota que o empate do Benfica em Matosinhos provocou aos rivais da turma da Luz), e o Sporting não conseguiu vergar o Paços em casa. Paulo Sérgio pode não ter a equipa mais bela do mundo, mas sabe retirar-lhe um aproveitamento assinalável. Ao assumir que não tinha engenho para atacar decentemente, apostou na solidez defensiva, com sucesso.